Mundial de 2018, Rússia: bi para a França

fifa 29

Pela primeira vez o Mundial de futebol foi organizado no leste europeu pela Rússia em 2018. Numa prova muito equilibrada, com surpresas e deceções, foi talvez um onde as diferenças entre seleções foi menor. Os jogos foram quase todos muito discutidos, mesmo entre nações de diferentes confederações. A primeira fase ficou marcada pela eliminação da Alemanha. Desde o Mundial de 1938 na França os alemães tinham sempre chegado pelo menos aos quartos, desta vez nem nos oitavos tiveram lugar. Em 1938, não houve fase de grupos, os germânicos perderam na primeira eliminatória com a Suíça, num segundo jogo pois o primeiro tinha terminado empatado. A derrota foi por 4-2. Desde aí, com fase de grupos em todos os campeonatos do Mundo isto nunca tinha ocorrido.

O México nos oitavos continuou com a sua maldição: desde o Mundial de 1994, nos EUA, os mexicanos passaram sempre a fase de grupos, mas também, não foram mais longe que esse patamar; já vai em sete ocorrências consecutivas. O Japão também chegou pela terceira vez a esta fase e desperdiçou uma vantagem de dois golos diante da Bélgica, acabando por perder por 3-2. A Rússia também fez história: desde o fim da União Soviética nunca mais passou a fase de grupos de um Mundial, a última ocasião em que tal tinha passado foi no México 1986, ainda como URSS. Em casa, finalmente, os russos acabaram com essa maldição, atingindo mesmo os quartos, onde só cederam diante dos vice-campeões da Croácia, nas grandes penalidades e eliminaram a Espanha nos oitavos.

A Inglaterra e a Bélgica que já não chegavam às meias-finais há algum tempo, voltaram a essa etapa. Os belgas surpreenderam os brasileiros nos quartos, os ingleses afastaram a surpresa da Suécia. Suecos que não iam tão longe desde o terceiro lugar do Mundial de 1994. Assim, Inglaterra desde de 1990 que não disputava uma meia-final e a Bélgica desde 1986 iam tentar fazer mais história.

Em dois jogos equilibrados a França e a surpresa Croácia qualificaram-se para a final. No caso dos gauleses uma vitória tangencial diante da Bélgica. Nos croatas, um jogo decidido no prolongamento, com um triunfo por 2-1 frente a Inglaterra. A Bélgica venceu o jogo para o bronze, alcançando assim a sua melhor qualificação de sempre. A França, que tinha eliminado num jogo espetacular a Argentina nos oitavos (4-3), depois o Uruguai nos quartos, era a grande favorita para o título. Favoritismo isso que comprovou ao derrotar a surpresa Croácia na final. Na final com mais golos desde o Mundial de 1966 na Inglaterra que terminou com o mesmo resultado de 4-2, embora, em 1966, só após prolongamento. Para a Croácia ficou uma caminhada inolvidável, derrotando na fase de grupos, aliás, goleando a Argentina por 3-0. Todavia, duas passagens após grandes penalidades e mais um prolongamento nas meias talvez tenha limitado um pouco os croatas na final. No entanto, tornaram-se a primeira equipa do leste europeu a chegar tão distante desde o Mundial de 1962, no Chile, onde a Checoslováquia também soçobrou na final perante o Brasil de Garrincha. A França sagrou-se assim campeã mundial pela segunda ocasião, primeira em vinte anos.

Portugal fez os mínimos: passou a fase de grupos. Perdeu nos oitavos diante do Uruguai, num jogo onde os uruguaios foram quase 100% eficazes em termos da relação entre golos e oportunidades criadas. O destaque vai para Cristiano Ronaldo que fez um hat-trick no primeiro jogo contra a Espanha, que terminou 3-3, e mais um golo frente a Marrocos com uma vitória por 1-0. Esperava-se um pouco mais do campeão europeu, contudo, não foi possível mais.

 

ÉPOCA   FASE ATINGIDA ADVERSÁRIO RESULTADO
         
2018, Rússia: França      
       
    1ªfase, Grupo C Austrália 2-1
      Perú 1-0
      Dinamarca 0-0
    Oitavos-de-final Argentina 4-3
    Quartos-de-final Uruguai 2-0
    Meias-finais Bélgica 1-0
    FINAL Croácia 4-2
         
 Onze principal: Lloris; Pavard, Varane, Umtiti e Hernández; Pogba e Kanté (Nzonzi); Mbappé, Griezmann e Matuidi (Tolisso); Giroud (Fekir)
         
Marcha do marcador: 1-0, por Mandzukic (18m, pb); 1-1, por Perisic (28m); 2-1, por Griezmann (38 m,gp); 3-1, por Pogba (59m); 4-1, por Mbappé (65m); 4-2, por Mandzukic (69m)
         
* jogos no recinto adversário; +campo neutro;

 

Anúncios

Gornik Zabrze finalista da Taça das Taças 1969-70

O Rio Ave vai disputar pela terceira vez a Liga Europa. Em 2014-15 chegou à fase de grupos. Esta ainda é a sua melhor prestação. Na época que se avizinha, na segunda pré-eliminatória vai defrontar o vice-campeão polaco:  Jagiellonia Bialystok. Um sorteio complicado. Não vai ser fácil, nesta altura da época, eliminá-lo.

A Polónia a nível da seleção já foi duas vezes medalha de bronze nos Mundiais: 1974 e 1982. E campeã olímpica em 1972, em Munique. Mas a nível de clubes só disputou uma final europeia: a Taça das Taças de 1969-70. Relembre-se que esta competição foi extinta em 1998-99. Apurava-se para a disputar o vencedor da taça de cada país, ou o finalista vencido em caso de dobradinha.

O Gornik Zabrze que ainda é o clube polaco com mais campeonatos (14), tantos quantos o Ruch Chorzow. O último foi em 1987-88. Também são o segundo clube desta nação com mais Taças da Polónia (6), a última em 1971-72. Esta última época conseguiram qualificar-se para as competições europeias ao fim de alguns anos, onde o concluíram em quarto lugar.

Na época de 1969-70 estiveram quase a tocar o céu e chegaram à única final europeia deste país na Taça das Taças. Um percurso complicado; só para se ter uma ideia, só se apuraram para a final, nas meias-finais, diante da Roma, por moeda ao ar, pois os dois encontros terminaram empatados a um, o prolongamento da segunda mão não o desfez e como ainda não havia grandes penalidades, foi tudo decidido por moeda ao ar. Os polacos foram mais sortudos. Na final, o Manchester City superiorizou-se e venceu por 2-1, conquistando o seu único troféu europeu até à data. Para o Gornik Zabrze foi um prazer ter disputado esta partida tão importante mas está à espera que algum clube desta nação o repita.

 

uefa 14

 

1969-70-Taça das Taças: Gornik Zabrze    
   
         
         
         
    1ªeliminatória Olympiakos 2-2*/5-0
    Oitavos-de-final Glasgow Rangers 3-1/3-1*
    Quartos-de-final Levski Sófia 2-3*/2-1
    Meias-finais Roma 1-1*/1-1 apurado por moeda ao ar
    FINAL Manchester City 1-2
         
         
         
*jogos no estádio do adversário; +campo neutro
 

 

2014, Mundial do Brasil: 24 anos depois a Alemanha festeja

64 anos depois o Mundial regressava ao Brasil e tal como em 1950 este foi traumático para os anfitriões. A Alemanha conquistou novamente o cetro e deixou bem vincado isto ao esmagar os brasileiros nas meias-finais por 7-1. A maior humilhação da sua história em casa, perante o seu público. Se em 1950 tinham perdido um encontrou diante do Uruguai, onde só precisavam um empate para serem campeões, aqui foram completamente dilacerados pelos alemães. Mundial no Brasil significa trauma para estes. A Alemanha depois de esmagar os anfitriões nas meias-finais, na final teve mais, muito mais, complicações, onde só no prolongamento bateram a Argentina de Messi. Pela primeira vez desde a unificação os germânicos ganharam esta prova. E Messi continua sem ganhar nada de importante pelo seu país. É verdade que nos Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil venceu a Alemanha na final, conseguindo o ouro olímpico, mas não é bem a mesma coisa!

A Argentina após duas décadas sem fazer nada de jeito neste evento chegou à final. Também 24 anos depois da última, em 1990, onde perderam para a RFA. O país germânico ainda não estava unificado. Aí liderados por Maradona conseguiram chegar tão longe. Com Messi parecia que finalmente o título não ia fugir, mas os germânicos foram melhores, tal como em 1990. Os vice-campeões de 2010, a Holanda chegou às meias-finais, onde só cederam nas grandes penalidades, contra a Argentina. Venceram depois o jogo da consolação, acabando em terceiro lugar. Por sua vez, a Espanha, a Itália e a Inglaterra não passaram a fase de grupos. Uma autêntica desilusão!

A Costa Rica e a Colômbia foram as grandes sensações deste Mundial. Ambas chegaram aos quartos-de-final pela primeira vez, sendo, que a primeira perdeu só nas grandes penalidades para a Holanda e os colombianos foram afastados pelo Brasil. Um jogador desta nação destacou-se, James Rodriguez, foi o melhor marcador deste evento. A Argélia também chegou pela primeira vez aos oitavos, empurrados para fora pelos alemães só no prolongamento. A Bélgica também alcançou os quartos, eliminada pela Argentina. Ainda se evidenciaram a Nigéria e os EUA que também disputaram os oitavos.

Portugal voltou a entrar num Mundial. Uma prova marcada pelas sucessivas lesões nos jogadores fruto de uma má planificação. A derrota por 4-0 com a Alemanha foi fundamental no resto da prova. Um empate a dois com os EUA e uma vitória tangencial contra o Gana não chegou para alcançar os oitavos. Mais uma má prestação em campeonatos do Mundo fora da Europa.

 

fifa 21

 

ÉPOCA   FASE ATINGIDA ADVERSÁRIO RESULTADO
         
2014, Brasil: Alemanha      
       
    1ªfase, Grupo G Portugal 4-0
      Gana 2-2
      EUA 1-0
    Oitavos-de-final Argélia 2-1 a.p.
    Quartos-de-final França 1-0
    Meias-finais Brasil 7-1
    FINAL Argentina 1-0 a.p.
         
 Onze principal: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels e Howedes; Kramer (Schurrie), Schweinsteiger e Kroos; Muller, Klose (Goetze) e Ozil (Mertesacker)
         
Marcha do marcador: 1-0, por Goetze (113m)
         
* jogos no recinto adversário; +campo neutro;

 

 

Primeiro título para a Espanha: Mundial, 2010, África do Sul

fifa 19

 

         
2010, África do Sul: Espanha      
       
    1ªfase, Grupo H Suíça 0-1
      Honduras 2-0
      Chile 2-1
    Oitavos-de-final Portugal 1-0
    Quartos-de-final Paraguai 1-0
    Meias-finais Alemanha 1-0
    FINAL Holanda 1-0 a.p.
         
 Onze principal: Casillas; Sérgio Ramos, Piqué, Puyol e Capdevilla; Xabi Alonso (Fabregas) e Busquets; Iniesta, Xavi e Pedro (Navas); David Villa (Fernando Torres)
         
Marcha do marcador: 1-0, por Iniesta (116m)
         
* jogos no recinto adversário; +campo neutro;

 

Pela primeira vez um Mundial foi disputado no continente africano, mais concretamente na África do Sul, em 2010. Finalmente, a Espanha conseguiria a consagração. Depois de anos em que era apontada como candidata e nunca fazia nada de jeito, os espanhóis finalmente conquistaram o título. Até aqui, o melhor que esta nação tinha conseguido era um quarto lugar, no já muito distante Campeonato do Mundo de 1950, no Brasil, 60 anos, depois, nem sequer tinha chegado a uma meia-final desde então. Porém, chegava aqui como campeão da europa o que já demonstrava que esta não era uma geração qualquer.  Até começaram mal a prova, perdendo com a Suíça. Todavia, a partir daí ganharam os jogos todos e desde que a fase eliminar se iniciou, todos por 1-0. Na final, um golo de Iniesta no prolongamento deu o título a Espanha e assim alcançaram o que muitos já julgavam ser uma maldição. O triunfo diante da Holanda na final foi o culminar de uma geração que ficaria na história do futebol mundial.

Se com a Espanha se pode chamar de fim da maldição, para os holandeses é precisamente o contrário. Já tinham disputado duas finais deste evento, em 1974 e 1978. E tal como em 1978, a Holanda perdeu a final de 2010 no prolongamento. Terceira final perdida sem nenhuma ganha, começa a ser também uma tradição que ninguém gosta.

Houve duas grandes sensações neste Mundial. Duas nações que foram mais longe do que se esperava: o Uruguai e o Gana. Curiosamente, defrontaram-se nos quartos-de-final. O Gana tornou-se na terceira nação africana a chegar tão longe. E podia ter ido mais além. O jogo com o Uruguai terminou empatado a um no final dos 90 minutos e assim continuou até aos 120′. Exatamente no último suspiro deste houve uma grande penalidade favorável ao Gana, pois Suarez intercetou com a mão um remate que daria em golo. Seria uma oportunidade única, pois permitiria não só a vitória neste encontro, como qualificaria o Gana para as meias-finais, tornando-se na primeira seleção africana a ir tão longe. O jogador ganês não aguentou este peso histórico todo e falhou. Isto levou o jogo para as grandes penalidades, onde o Uruguai foi mais forte, apurando-se pela primeira vez em 40 anos para uma meia-final. Não foi mais longe. Perdeu com a Holanda. Porém, foi a melhor prestação desde o Mundial de 1970, no México, onde também acabou em quarto lugar.

No caminho para o título falou-se que a Espanha teve sorte. Uma das seleções que enfrentou foi o Paraguai que também teve aqui a sua melhor prestação e foi uma das surpresas da prova. Confrontaram-se as duas nos quartos, no início da segunda parte quando o jogo estava a zeros, o Paraguai teve uma grande penalidade a seu favor que falhou. A Espanha mais tarde marcou um golo e qualificou-se para as meias. Se os paraguaios tinham marcado nesse momento o que seria depois ?!

Portugal apurou-se pela terceira vez consecutiva para este evento. O que acontecia pela primeira vez na sua história. Não foi uma prestação brilhante. Também não foi desastrosa. Atingiu-se os mínimos aceitáveis. Isto é passou a fase de grupos, mas nos oitavos a Espanha foi mais forte e um golo de David Villa eliminou os lusitanos. Ficam dois coisas a reter nesta participação: a vitória por sete zero frente à Coreia do Norte na fase de grupos, maior triunfo de sempre dos lusos neste evento; e, pela primeira vez Portugal passava uma fase de grupos num Mundial disputado fora da Europa. Em 1986 e 2002 não teve esse desiderato. Em 1966 e 2006, passou mas estes ocorreram na Inglaterra e Alemanha, no continente europeu.

 

 

 

2006, Alemanha, Mundial: título para a Itália

fifa 18

 

32 anos depois, a Alemanha organizava um Mundial. Com uma pequena diferença, desta vez era a totalidade do território germânico. Não como em 1974, em que estava dividida em duas. Parecia que tudo estava pronto para a festa, mas, a Itália, nas meias-finais, nos dois últimos minutos do prolongamento, acabou com o sonho alemão, vencendo por 2-0 e doze anos depois estava na final doze anos após a última. Curiosamente, tal como em 1994, nos EUA, foi decidida nas grandes penalidades, porém, ao contrário da de 1994, a sorte sorriu aos italianos que não falharam uma e viram os franceses desperdiçarem uma que foi o suficiente para a festa. Para a França, oito anos após a sua única final, tiveram aqui a hipótese de alargar o seu palmarés, todavia, aconteceu o que digo acima: a festança foi para os transalpinos, 24 anos depois do seu último troféu que tinha acontecido no Mundial de 1982, na Espanha!

Uma das surpresas do torneio foi a Ucrânia. Primeira presença e única até agora, consegui atingir os quartos-de-final, depois de eliminar a Suíça, nas grandes penalidades, nos oitavos. Na eliminatória seguinte, a Itália foi claramente mais forte, 3-0, porém não deixou de ser uma boa prestação. Outra participação razoável foi obtida pela Austrália, chegou aos oitavos, perdendo, com uma grande penalidade muito controversa, perto do fim, com os carrascos da Ucrânia, a Itália. O Gana que até aqui nunca tinha participado, apesar de na altura ostentar quatro títulos de campeão africano, também chegou aos oitavos, mas, aí o Brasil foi naturalmente mais forte, e venceu sem dificuldades. Os ganeses igualaram Marrocos, Camarões, Senegal e Nigéria como equipa africanas que sobreviveram a uma fase de grupos na história deste evento.

Portugal teve aqui pela primeira vez duas participações consecutivas. Ao contrário da de 2002, no Japão e Coreia Sul, os lusitanos tiveram uma excelente prestação, concluindo em quarto lugar, segunda melhor performance, só em 1966, fizeram melhor e acabaram em terceiro. Uma fase de grupos perfeita com três jogos e três vitórias. Nos oitavos, diante da Holanda, num jogo muito complicado, com muitos cartões e expulsões, um golo de Maniche chegou para a apurar a seleção para os quartos. Aí, frente à Inglaterra, o guarda-redes Ricardo foi herói, defendendo três grandes penalidades, no desempate, apurando, 40 anos depois os portugueses para as meias-finais. Zidane, de grande penalidade, fez a diferença e eliminou Portugal. No jogo para o pódio, os alemães foram superiores. Não obstante isto tudo, os portugueses ficaram nos quatro primeiros, uma excelente participação.

 

 

ÉPOCA   FASE ATINGIDA ADVERSÁRIO RESULTADO
         
2006, Alemanha: Itália      
       
    1ªfase, Grupo E Gana 2-0
      EUA 1-1
      República Checa 2-0
    Oitavos-de-final Austrália 1-0
    Quartos-de-final Ucrânia 3-0
    Meias-finais Alemanha 2-0 a.p.
    FINAL França 1-1/5-3 g.p.
         
 Onze principal: Buffon; Zambrotta, Cannavaro, Materazzi e Grosso; Gattuso e Pirlo; Camoranesi (Del Piero), Totti (Iaquinta) e Perrotta (De Rossi); Toni
         
Marcha do marcador: 0-1, por Zidane (7m, gp); 1-1, por Materazzi (19m)

Penalties: 1-0, por Pirlo; 1-1, por Wiltord; 2-1, por Materazzi; 2-1, Trezeguet (à barra); 3-1, por De Rossi; 3-2, por Abidal; 4-2, por Del Piero; 4-3, por Sagnol; 5-3, por Grosso

         
* jogos no recinto adversário; +campo neutro;

 

2002, Coreia do Sul e Japão: penta para o Brasil

Scolari  levou o Brasil ao seu quinto título mundial quando nem sequer era um dos principais candidatos, ao contrário do que normalmente acontecia. Uma fase de qualificação fraca onde se apurou apenas no último jogo. Uma Argentina que só cedeu uma derrota, em 18 jogos, apresentava-se como a maior favorita do torneio. Não passou a fase de grupos pela primeira vez em muito tempo! Quanto menos expectativas traziam, quando tudo parecia destinado ao fracasso, a seleção brasileira transcendeu-se. Não só foi campeão, como fez o que poucos países campeões fizeram, isto é, ganhou os jogos todos: do primeiro da fase de grupos até à final; e ainda teve o melhor marcador do evento: Ronaldo com oito golos, melhor registo desde o Mundial de 1970, no México, obtido por Gerd Muller, da RFA. Na final, um bis deste, frente à Alemanha, deu o título ao Brasil, o quinto. Mais uma curiosidade sobre esta final: o Campeonato do Mundo do futebol começou em 1930, no Uruguai, até esta final, o Brasil tinha 4 títulos e a Alemanha três, e este jogo era a primeira vez que se confrontavam na história deste torneio.

Pela primeira vez na sua história o Mundial foi para a Ásia. Não se esperava que os países organizadores, Coreia do Sul e Japão, fossem muito longe, porém os coreanos desafiaram a lógica, chegaram às meias, eliminaram Itália e Espanha e terminaram em quarto lugar, passando pela primeira vez uma fase de grupos. Os japoneses também apuraram-se daí, mas cederam nos oitavos diante da Turquia. Pela terceira e quarta vez um país asiático passou a fase de grupos, no caso coreano e japonês foi a primeira vez; e contra todas as previsões a Coreia do Sul terminou em quarto, algo inédito na história da confederação asiática de futebol (AFC) e ainda por igualar.

As outras três sensações neste torneio foram a Turquia, o Senegal e os EUA. Os turcos só se tinham qualificado para o Mundial de 1954, na Suíça. Esta era a segunda vez. Chegaram às meias-finais, perderam diante dos futuros campeões, o Brasil, mas conseguiram ganhar o bronze, diante dos organizadores. Uma excelente prestação! Tão excelente que desde então nunca mais para aqui se apurou! O Senegal, por sua vez, era a sua estreia neste evento. Começou por vencer os então detentores do título, a França, no primeiro encontro deste evento. Venceu a fase de grupos, nos oitavos afastou a Suécia, nos quartos foram batidos pelos também surpreendentes turcos. Todavia, igualou os Camarões, no Mundial de 1990 na Itália, que também tinham aí chegado. Em 2018, estão de volta! Os EUA tiveram o seu melhor desempenho desde as meias-finais de 1930, no Uruguai. Aqui atingiram os quartos. Acabaram eliminados pela Alemanha, por 1-0.

Portugal, pela primeira vez desde o Mundial de 1986, no México, qualificou-se. Tal como em 1986, foi uma desilusão e isto acabou marcado pela agressão de João Pinto ao árbitro, no terceiro jogo da fase de grupos, diante da Coreia do Sul. Derrota logo no primeiro jogo, frente aos EUA. Um hat-trick de Pauleta contra a Polónia ajudou a construir uma vitória por 4-0. Depois, no último jogo novo desaire e adeus ao Mundial.

 

fifa 16

 

ÉPOCA   FASE ATINGIDA ADVERSÁRIO RESULTADO
 
2002, Coreia do Sul e Japão: Brasil
 
  1ªfase, Grupo C Turquia 2-1
  China 4-0
  Costa Rica 5-2
  Oitavos-de-final Bélgica 2-0
  Quartos-de-final Inglaterra 2-1
  Meias-finais Turquia 1-0
  FINAL Alemanha 2-0
 
 Onze principal: Marcos; Lúcio, Edmílson e Roque Júnior; Cafú, Gilberto Silva, Kléberson e Roberto Carlos; Ronaldinho Gaúcho (Juninho Paulista); Ronaldo (Denílson) e Rivaldo
 
Marcha do marcador: 1-0, por Ronaldo (67m); 2-0, por Ronaldo (79m)
 

 

1998, Mundial de França: vitória dos gauleses

fifa 15

 

Vinte anos depois um país anfitrião voltou a ser campeão. Neste caso a França. Semi-finalista do Europeu de 1996, em Inglaterra, onde perdeu surpreendentemente nas grandes penalidades frente à República Checa. Desta vez nem isso os deteve. Um passeio na fase de grupos, ganhando os três jogos. Depois, as dificuldades começaram: nos oitavos, só no prolongamento eliminaram o Paraguai, com um golo de Blanc; relembre-se que naquela altura o tempo extra era decidido por morte súbita, quem marcasse primeiro passava e o jogo terminava aí.

Nos quartos-de-final, frente à Itália, só conseguiram passar nas grandes penalidades. Nas meias-finais, muitas dificuldades para o apuramento, estiveram a perder 1-0, diante da surpresa do torneio a Croácia, com dois golos de Thuram, defesa direito, conseguiram assim a passagem.

Na final, Zidane, que até tinha sido expulso durante a fase de grupos, foi um herói, marcando os dois primeiros golos, de cabeça, após canto, levando os franceses à glória. Um golo a acabar de Petit confirmou o título. 3-0 contra o Brasil, uma das finais mais desequilibradas da história deste evento.

Estreava-se neste torneio e conseguiu não só o bronze, como Suker foi o melhor marcador do torneio com seis golos, isto é, a Croácia. Nos quartos-de-final aplicaram à Alemanha uma das maiores humilhações da sua história, derrota por 3-0. Nas meias soçobraram perante os futuros campeões, mas ainda conseguiram o bronze, batendo a Holanda.

A Holanda, por sua vez, chegou às meias-finais, onde perdeu com o Brasil, nas grandes penalidades. Foi a sua melhor prestação desde a final perdida do Argentina 1978, perante esse país. A Dinamarca também teve aqui a sua melhor prestação, chegou aos quartos, onde cedeu perante o Brasil. A Noruega, que venceu na fase de grupos o Brasil, primeira vez que esta nação perdia na fase de grupos, desde o Mundial de 1966, quando não passou daí, chegou aos oitavos, onde foi afastada pela Itália. A Nigéria chegou novamente aos oitavos, tornando-se o primeiro país africano a passar em edições consecutivas (1994 e 1998) a fase de grupos, mas, tal como em 1994, não foi além disso.

 

ÉPOCA   FASE ATINGIDA ADVERSÁRIO RESULTADO
         
1998, França: França      
       
    1ªfase, Grupo C África do Sul 3-0
      Arábia Saudita 4-0
      Dinamarca 2-1
    Oitavos-de-final Paraguai 1-0 a.p.
    Quartos-de-final Itália 0-0/4-3 g.p.
    Meias-finais Croácia 2-1
    FINAL Brasil 3-0
         
 Onze principal: Barthéz; Thuram, Desailly, Lebouef e Lizarazu; Deschamps, Karembeu (Boghossian) e Petit; Zidane; Guivarc’h (Dugarry) e Djorkaeff (Vieira)
         
Marcha do marcador: 1-0, por Zidane (27m); 2-0, por Zidane (45m); 3-0, por Petit (90m)
         
* jogos no recinto adversário; +campo neutro;

 

24 anos depois, o tetra para o Brasil, EUA 1994

 

ÉPOCA   FASE ATINGIDA ADVERSÁRIO RESULTADO
 
1994, EUA: Brasil
 
  1ªfase, Grupo B Rússia 2-0
  Camarões 3-0
  Suécia 1-1
  Oitavos-de-final EUA 1-0
  Quartos-de-final Holanda 3-2
  Meias-finais Suécia 1-0
  FINAL Itália 0-0/3-2 g.p.
 
 Onze principal: Taffarel; Jorginho (Cafú), Aldair, Márcio Santos e Branco; Mazinho, Mauro Silva, Dunga e Zinho (Viola); Bebeto e Romário
 
Marcha do marcador: 0-0, 3-2 g.p.:0-0, falha Baresi (fora); 0-0, falha Márcio Santos (defende Pagliuca); 0-1, por Albertini; 1-1, por Romário; 1-2, por Evani; 2-2, por Branco; 2-2, falha Massaro (defende Taffarel); 3-2, por Dunga; 3-2, falha R.Baggio (fora)

 

Foi uma espera longa! Da euforia do tri, com uma das equipas candidatas a ser considerada a melhor de sempre a este nível, com muitas desilusões pelo caminho, com derrotas difíceis de engolir! Esse triunfo parecia uma glória complicada de alcançar, falava-se de maldições. Todavia, no Mundial de 1994, nos EUA, tudo isto foi esquecido e a euforia regressou. 24 anos depois, o Brasil chegou ao desejado tetra. O samba voltou!

Uma equipa que não era nem de perto nem de longe das mais entusiasmantes da história do futebol brasileiro, contudo tinha adquirido algo que era um defeito apontados as suas predecessoras, saber tático. Juntando a beleza à segurança defensiva. Não jogando bonito e depois acabando a perder nos momentos crucias. Uma seleção que sabia bem como defender como atacar. Isto foi fundamental para chegar ao título.

Uma primeira fase sem grandes problemas, cedendo um empate com a Suécia e vencendo os outros dois. Em desvantagem numérica, depois da agressão de Leandro, diante dos anfitriões, EUA, um golo perto do fim bastou para o apuramento. Nos quartos, num dos jogos mais espetaculares da história deste evento, uma vitória por 3-2, frente à Holanda, mesmo depois de terem desperdiçado uma vantagem de dois golos, todavia, um livre direto de Branco fez a diferença.

Nas meias-finais, uma vitória tangencial diante da Suécia, vingando o empate da fase de grupos, também, obtida perto do fim, com os suecos reduzidos a dez. Na final, que para muitos é a pior de sempre, só equiparada à do Mundial de 1990, na Itália, só as grandes penalidades fizeram a diferença e aí Taffarel, guarda-redes brasileiro, foi o herói dando o tetra ao Brasil. Depois: samba e festa! Muita festa!

A Suécia, pela primeira vez desde 1958, quando foi finalista em casa, regressou ao pódio, com um meritório terceiro lugar, goleando a Bulgária por 4-0 no jogo para esse efeito. A Bulgária também teve aqui o que ainda é o seu melhor registo de sempre, um quarto lugar, eliminando os detentores do troféu a Alemanha, nos quartos. A Roménia também eliminou um gigante, a Argentina, ainda em convalescença do caso de doping do Maradona, nos oitavos. Cedeu, outra vez, nas grandes penalidades nos quartos, diante da Suécia. Também obteve a sua melhor prestação até aos dias de hoje.

A Arábia Saudita também surpreendeu. Tornou-se no segundo país asiático (AFC) a passar a fase de grupos. O único tinha sido a Coreia do Norte, em 1966, onde alcançou os quartos, eliminada por Portugal, depois de estar a vencer por 3-0, cedendo por 5-3, com o melhor jogo da carreira de Eusébio pela seleção, onde aqui marcou quatro golos.

fifa 14

 

Mundial Itália 1990: título germânico

fifa 13

 

O Campeonato de Mundo de 1990, de futebol, realizou-se na Itália. O país anfitrião naturalmente era um dos favoritos ao título, chegou às meias-finais sem sofrer um único golo. Aí, concedeu o primeiro diante da Argentina e foi posteriormente eliminada nas grandes penalidades, o que deixou um país em lágrimas.

A Inglaterra também teve aqui a sua segunda melhor prestação nesta prova, só batida pelo título de 1966. Uma fase de grupos irregular, com dois empates e uma vitória contra o Egipto. Nos oitavos-de-final só perto do fim do prolongamento conseguiu afastar os belgas com um golo de David Platt. Nos quartos, novo prolongamento, estiveram mesmo a perder contra os Camarões, passaram com duas grandes penalidades um pouco duvidosas. Nas meias-finais contra os futuros campeões, os ingleses cederam numa coisa que futuramente iria ser um trauma, isto é, derrota nos penalties frente à RFA.

A Argentina, liderada por Maradona chegou à final com muitas dificuldades. Começou a prova perdendo no primeiro jogo contra os Camarões. A vitória frente à URSS e o empate diante da Roménia qualificou a equipa para os oitavos. Aí um jogo especial contra o rival de sempre, o Brasil. Vitória por 1-0, golo de Cannigia e a pior prestação dos brasileiros desde o Mundial de 1966, na Inglaterra, onde ficaram pela fase de grupos. De resto chegaram sempre, pelo menos, aos quartos. Quartos e meias-finais decididos nas grandes penalidades diante da Jugoslávia e da Itália, qualificaram os argentinos para a final. Aí, acabaram com nove e perderam com um penalti muito duvidoso e não conseguiram tornar-se na terceira seleção a vencer dois Mundiais seguidos.

A RFA acabou por vencer com justiça.  Foi a melhor equipa em quase todos os jogos. Passeou na fase de grupos só cedendo um empate frente à Colômbia. Nos oitavos um jogo com muitas quezílias contra a Holanda, que dois anos antes tinha sido campeã da Europa, na RFA, afastando este nas meias. Nos quartos afastaram a Checoslováquia e nas meias alguma felicidade, apenas vencendo nas grandes penalidades. Na final, tiveram a sua vingança depois de terem perdido o Mundial de 1986, no México, diante da Argentina.

Pela primeira vez a magia do futebol africano apareceu de vez e com convicção neste evento. Os Camarões, liderados por Roger Milla, chegaram aos quartos-de-final, a primeira seleção africana a chegar tão longe. Venceram a Argentina na fase de grupos, estiveram a vencer a Inglaterra nos quartos-de-final, onde só foram afastados, no prolongamento porque o árbitro marcou dois penalties um pouco duvidosos. Não mais este país africano esteve sequer perto de algo semelhante.

Era uma altura, em modo geral, onde se empatava muito, não só em provas deste cariz mas também em competições nacionais. Foi dessa forma que a República da Irlanda chegou aos quartos-de-final sem vencer um único jogo. Empatou os três na fase de grupos, empatou contra a Roménia nos oitavos, passando nas grandes penalidades e só cedeu depois diante da Itália. Ainda hoje é a única seleção a alcançar tal fase sem ganhar.

 

ÉPOCA   FASE ATINGIDA ADVERSÁRIO RESULTADO
         
1990, Itália: RFA      
       
    1ªfase, Grupo D Jugoslávia 4-1
      EAU 5-1
      Colômbia 1-1
    Oitavos-de-final Holanda 2-1
    Quartos-de-final Checoslováquia 1-0
    Meias-finais Inglaterra 1-1/4-3 g.p.
    FINAL Argentina 1-0
         
 Onze principal: Illgner; Berthold (Reuter), Kohler, Buchwald e Brehme; Augenthaler;  Hässler, Matthäus e Littbarski; Klinsmann e Völler
         
Marcha do marcador: 1-0, por Brehme (85m, gp)
         
* jogos no recinto adversário; +campo neutro;

 

Create a free website or blog at WordPress.com.

EM CIMA ↑