A mais imprevisível de todas as edições da Taça de Portugal: 1998-99, para o Beira-Mar

ÉPOCA   FASE ATINGIDA ADVERSÁRIO RESULTADO
         
Beira-Mar:      
1998-99, Taça Portugal      
    4ªeliminatória Futebol Benfica 4-2
    5ªeliminatória Portomosense 7-0
    Oitavos-de-final União Leiria 1-1/2-1*
    Quartos-de-final Moreirense 1-1*/1-0
    Meias-finais Vitória Setúbal 1-0
    FINAL Campomaiorense 1-0
         
 Onze principal: Palatsi; Jorge Neves, Lobão, Gila e Caetano; Fusco e Eusébio; Paulo Sérgio (Quintas), Ricardo Sousa (André) e Fernando; Fary (Simic)
         
Marcha do marcador: 1-0, por Ricardo Sousa (69m)
 

fpf 6

 

Já a edição de 1989-90,da Taça de Portugal, tinha ido contra todos os prognósticos, isto é, os três grandes foram todos eliminados na mesma época antes dos quartos-de-final, ou seja, chegaram aos quartos-de-final da taça de 1989-90 e já não havia nenhum grande presente. Ressalva-se, todavia, que essas derrotas foram todas contra equipas da, então, I Divisão: o Benfica com o Vitória de Setúbal; o FC Porto despedido pelo Tirsense; e o Sporting afastado pelo Marítimo. O vencedor desse ano foi o Estrela Amadora, numa final contra o Farense. Final inédita para os dois. Ainda mais um dado a salientar, o Farense competiu esse ano na antiga II Divisão, sendo, o primeiro representante de escalões secundários na final da Taça de Portugal em 28 anos, desde o Vitória Setúbal em 1961-62. Gritou-se escândalo, nem daqui a cem anos tal ocorreria. Bem, em 1998-99, esses cem anos foram, por um lado, reduzidos para nove anos, com dois novos factos: os grandes não só foram todos eliminados antes dos oitavos-de-final, como aconteceu outra coisa que não acontecia há décadas, isto é, dois deles foram eliminados por equipas de divisões secundárias.

Em 1998-99, a equipa de Aveiro, Beira-Mar, atingiu a sua segunda final da taça do seu historial, depois, da derrota, após prolongamento, em 1990-91, frente ao FC Porto. Em 1990-91, teve a sua melhor classificação de sempre no primeiro escalão, um sexto lugar, resultado ainda por igualar ou melhorar. Nesta época completamente louca, aproveitou os erros, ou seja, as eliminações dos grandes, para chegar à final, precisando mesmo de jogar os jogos de desempates, nos oitavos-de-final frente à União Leiria e nos quartos frente ao Moreirense. No fim consagrou-se como vencedor da Taça de Portugal, de 1998-99, batendo o estreante Campomaiorense, por 1-0, golo de Ricardo Sousa, treinados pelo seu pai, António Sousa, apesar de acabarem o jogo reduzidos a nove. Como nesse ano acabaram o campeonato em 16º, desceram de divisão, isso significou que foram a primeira equipa a descer de divisão e a ganhar esta competição, e tornaram-se, até hoje, a equipa pior classificada a vencer a Taça de Portugal.

Falemos dos escândalos desse ano. Logo na primeira eliminatória, onde as equipas da I Divisão entraram, 4ªeliminatória, o Gil Vicente, da Liga de Honra, defrontou o Sporting, em casa, e, para a surpresa geral, fez algo que só tinha acontecido uma vez aos leões e essa única vez tinha sido em 1948-49!! 50 anos depois, uma equipa de escalões secundários, eliminava os lisboetas. Surpresa! Mas não ficaria por aqui!

O FC Porto tinha tido dificuldades frente ao Famalicão na eliminatória anterior, vencendo apenas no prolongamento, depois de estar a perder por 2-0. Os adeptos respiraram de alívio! Os dragões não levaram este aviso muito a sério, pois, na eliminatória seguinte, frente a uma equipa da II B, afundada nos últimos lugares da Zona Centro, chegou às Antas e um desconhecido Cláudio Oeiras, a poucos minutos do final do jogo, marcou o golo da vitória. Há 29 anos que os portistas não eram eliminados por equipas de escalões secundários. Sendo que essa última vez, frente ao Tirsense, tem uma “desculpa”, o FC Porto, nessa época, acabou o campeonato no nono lugar, pior lugar de sempre!

O Benfica chegou à noite, quando o seu jogo estava calendarizado para jogar, no Bonfim, frente ao Vitória Setúbal, com o caminho mais que aberto para vencer a taça. Em 1989-90 gritou-se nem daqui a cem anos! Pois, nove anos depois, o Vitória de Setúbal vence o Benfica por 2-0 e, assim, completa o ramalhete, melhorando o que tinha acontecido em 1989-90: os três foram eliminados antes dos oitavos-de-final, uma eliminatória a menos do que tinha ocorrido.

Claro que é quase impossível melhorar este registo. Para isso, teriam que ser os três eliminados logo na primeira eliminatória que entram, isto é, segundo as regras presentes, na 3ªeliminatória. Porém, esta edição totalmente deslocada do que é  normal na história da Taça de Portugal, onde os grandes dominam quase hegemonicamente, não tanto como no campeonato, mas, mesmo assim é um domínio absoluto, teve um revés: nunca mais houve uma final sem os três grandes e como na corrente época um estará na final, pelo menos, significa quinze anos sem uma final, sem nenhum dos três. Esse tipo de final só se deu por nove vezes, para quando a décima?

 

 

 

Deixe um comentário

Ainda sem comentários.

Comments RSS TrackBack Identifier URI

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

  • Arquivos

  • Fevereiro 2014
    M T W T F S S
    « Jan   Mar »
     12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    2425262728