1948-49, título para o Sporting, tri-campeonato e 100 golos marcados e o fim dos cinco violinos

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A época de 1948-49 foi marcante para o Sporting. Antes de mais, foi o primeiro tri da história do clube. Por outro lado, marcaram 100 golos no campeonato, em 26 jornadas, algo que só Benfica conseguiria mais tarde. O outro lado da moeda foi que o maior goleador da história do escalão máximo do futebol português, Fernando Peyroteo, aos 30 anos, decidiu retirar-se; em grande, porque mais uma vez foi o melhor marcador do campeonato com uns fabulosos 40 golos, em 26 jogos, uma média incrível. Não obstante isto, concluiu que estava na altura de deixar esta carreira. Assim, 1948-49, foi a última época onde os cinco violinos jogaram juntos, a partir daqui, passariam a quatro! Contudo, este fim não foi numa fase em que estivessem no ocaso da carreira, muito pelo contrário, Peyroteo marcou 40 golos e clube cem no campeonato, por isso, se pode dizer, que foi um fim em grande! Os que restavam continuaram a construir resultados, no início da década de 50, com um tetra-campeonato, mas em termos de golos marcados, não mais atingiram estes valores verdadeiramente espantosos! Na Taça de Portugal é que houve um dos maiores escândalos da história da competição: o Tirsense, militava na III Divisão, e, em 1948-49, na primeira eliminatória da prova eliminou, em casa, os tri-campeões nacionais, o Sporting, vencendo por 2-1! Se no campeonato, Peyroteo saiu em alta, na taça, bem, lá se diz, nesta prova, às vezes ( no caso dos 3 grandes não muitas), estas humilhações acontecem!

Em 1948-49, foi um título ganho sem grandes problemas. Chegaram ao fim com um vantagem de cinco pontos, o que demonstra o domínio nesta temporada. Relembre-se, que, na altura, a vitória valia dois pontos, não três como agora, daí o à vontade com que foram campeões. A números atuais seria uma vantagem de oito pontos, valores bastante confortáveis. Tiveram um jogo marcante, 12-1, frente ao Boavista, que foi último classificado; mesmo assim, no Bessa, os boavisteiros conseguiram empatar com os leões a zero, um dos poucos jogos em que o Sporting perdeu pontos.

O outro realce do campeonato foi o quinto lugar do Estoril, só, em 2012-13, voltariam a atingir tais desideratos, sendo quinto classificado pela primeira vez desde esta época. Aliás o melhor resultado do Estoril desde 1948-49 até à presente temporada, onde ficou, outra vez, tão bem classificado, foi o 8ºlugar, em 1975-76. Classificação muito melhorada em 2012-13, com o tal quinto lugar.

De resto, isto marcou a primeira vez que o Sporting Covilhã esteve na então I Divisão. Lugar que manteve durante quase toda a década de 50, chegando mesmo a ficar em quinto lugar em 1955-56 e a ir à final da Taça de Portugal, no ano seguinte. O Sporting Braga dava os primeiros passos no escalão máximo do futebol português, segunda temporada. E duas equipas, agora um pouco esquecidas pelos amantes deste desporto, Elvas e Lusitano VRSA, também aqui labutaram. Para os alentejanos e algarvios só durou mais uma época este prazer. No caso do Lusitano VRSA, não mais regressou; o Elvas, regressaria na década de 80.

1948-49 J V E D GOLOS P
1-Sporting 26 20  2  4 100-35 42
2-Benfica 26 17  3  6  72-34 37
3-Belenenses 26 16  3  7  68-36 35
4-FC Porto 26 16  1  9  55-37 33
5-Estoril 26 12  5  9  76-54 29
6-Vitória Guimarães 26 11  4 11  47-50 26
7-Olhanense 26 10  4 12  51-55 24
8-Sporting Braga 26 11  2 13  39-54 24
9-Elvas 26  7  7 12  46-61 21
10-Atlético 26  8  5 13  44-68 21
11-Sporting Covilhã 26  9  2 15  50-59 20
12-Vitória Setúbal 26  8  4 14  39-61 20
13-Lusitano VRSA 26  7  4 15  23-52 18
14-Boavista 26  4  6 16  35-89 14
1948-49, Sporting, CAMPEÃO CASA FORA
Benfica 5-1 3-3
Belenenses 5-1 4-1
FC Porto 1-2 0-1
Estoril 5-3 4-2
Vitória Guimarães 3-0 3-1
Olhanense 3-1 7-3
Sporting Braga 4-0 0-1
Elvas 7-1 4-3
Atlético 5-1 3-0
Sporting Covilhã 7-2 2-5
Vitória Setúbal 3-1 1-0
Lusitano VRSA 7-1 2-0
Boavista 12-1 0-0
CASA FORA
V E D GOLOS V E D GOLOS
12 0 1 67-15 8 2 3 33-20
TOTAL
J V E D GOLOS P
26 20 2 4 100-35 42
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Sporting, campeão em 1946-47, auge dos cinco violinos e 123 golos marcados no campeonato em 26 jogos

Esta campeonato, que terminou no passado fim-de-semana, há dois dias, o Sporting terminou na sua pior classificação de sempre, um sétimo lugar, inédito no historial leonino. Por sua vez, o Estoril conseguiu um quinto lugar e uma primeira qualificação para as competições europeias. Foi o melhor resultado do Estoril no escalão máximo do futebol português desde a época de 1948-49, onde também alcançou um quinto lugar. Nessa altura, não havia competições europeias.

Em 1946-47, o Sporting foi verdadeiramente avassalador com os seus cinco violinos: 26 jogos, 23 vitórias, um empate e duas derrotas; apesar, de ter sofrido 40 golos, o que não é uma grande marca, já que, o campeonato só tinha 26 jogos, mas eram outros tempos, marcou nada mais nem menos 123 golos. Uma média de quase cinco golos por jogo! É ainda de longe o maior número de golos marcados numa só temporada. Ninguém sequer chegou perto. Apenas, mais três vezes se marcaram 100 ou mais golos, uma pelo Sporting, e outras duas pelo Benfica, mas mesmo assim ficaram muito longe destes 123. A melhor marca a seguir é de 103, menos vinte golos!

Foi o melhor do melhor! A cereja no cimo do bolo! Melhores exibições! Melhor campanha dos cinco violinos! Jogos loucos, como o 9-5 em Famalicão e 7-3 em casa contra os mesmos! Ou grandes resultados, como o 6-1 ao Benfica ou 8-0 ao Olhanense (6ºclassificado) ou 9-2 ao Atlético (7ºclassificado) e 9-1 ao SL Elvas e Académica. Uma máquina de fazer golos! A sua principal figura foi (e é) Fernando Peyroteo, tio de José Couceiro, que marcou 43 golos em 26 jogos, uma média incrível. É ainda o segundo melhor registo de golos marcados numa só época, só batido por os 46 de Yazalde em 1973-74, mas em 30 jogos. Peyroteo ainda é o maior goleador da história da agora Primeira Liga, e o com melhor média, acima de 1,6 por golos marcados por jogo. Um exemplo do seu instinto goleador, em 1937-38, o campeonato tinha apenas oito equipas, isto dá 14 jornadas e nessas 14, ele marcou 34 golos, mais de dois por jogo! Um verdadeiro matador!

O Estoril, que eu referenciei no início deste artigo, teve aqui o seu período de ouro, um quarto lugar e dois quintos, só voltaria a esses patamares em 2012-13, com outro quinto lugar. Mas no primeiro desses quintos, em 1946-47, no ano ouro do Sporting, marcou 96 golos, também em 26 jogos, um registo que apenas Benfica e Sporting suplantaram em toda a história da agora Primeira Liga, nem FC Porto, nem Belenenses, nem Boavista lá chegaram! Uma singularidade do nosso futebol.

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1946-47 J V E D GOLOS P
1-Sporting 26 23  1  2 123-40 47
2-Benfica 26 20  1  5  99-47 41
3-FC Porto 26 15  3  8  73-45 33
4-Belenenses 26 14  5  7  66-31 33
5-Estoril 26 16  1  9  96-55 33
6-Olhanense 26 11  4 11  69-73 26
7-Atlético 26 11  3 12  56-61 25
8-Vitória Guimarães 26  8  8 10  54-54 24
9-Boavista 26  7  6 13  52-74 20
10-SL Elvas 26  9  2 15  65-89 20
11-Académica 26  8  4 14  49-96 20
12-Vitória Setúbal 26  8  4 14  45-50 20
13-Famalicão 26  7  3 16  60-100 17
14-Sanjoanense 26  2  1 23  26-118  5
1946-47, Sporting, CAMPEÃO CASA FORA
Benfica 6-1 1-3
FC Porto 3-2 4-2
Belenenses 3-0 0-2
Estoril 5-0 4-2
Olhanense 8-0 5-3
Atlético 9-2 6-1
Vitória Guimarães 3-1 2-1
Boavista 4-1 4-2
SL Elvas 9-1 5-3
Académica 9-1 3-1
Vitória Setúbal 3-0 1-1
Famalicão 7-3 9-5
Sanjoanense 4-0 6-2
CASA FORA
V E D GOLOS V E D GOLOS
13 0 0 73-12 10 1 2 50-28
TOTAL
J V E D GOLOS P
26 23 1 2 123-40 47

Boavista na Taça Portugal: 1981-82 a 2012-13

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Tal como no espaço de tempo analisado anteriormente, o Boavista disputou três finais da Taça de Portugal. Ao contrário, não ganhou as três, mesmo assim, ganhou duas, o que não é mau, tendo em conta que nessas três defrontou sempre um dos grandes do futebol português: o FC Porto em 1991-92, e o Benfica em 1992-93 e 1996-97.

A vitória frente aos portistas, além de ser a quarta vitória na prova, o Boavistão tornou-se, até agora, no único clube que derrotou todos os 3 grandes em finais da Taça de Portugal: Benfica em 1974-75 e 1996-97; Sporting em 1978-79; e o FC Porto em 1991-92. Há vários exemplos de clubes que derrotaram um ou mesmo dois, mas nenhum, a não ser os boavisteiros, o fizeram aos três. O que não deixa de ser interessante, até porque em seis finais, cinco foram frente a esta estirpe de clubes. E apenas uma derrota, nessas seis finais, uma final onde tudo correu mal e Paulo Futre fez uma grande exibição, numa vitória concludente por 5-2 para o Benfica.

Contudo, esta má presença seria compensada em 1996-97. A vingança serve-se fria, em 1996-97, novo Boavistão e nova vitória na final da Taça, de novo o Benfica como rival, mas, desta vez, triunfo dos axadrezados por 3-2. Não só foi a vingança de 1992-93, todavia, esta festa tornou o Boavista no único clube com um registo positivo frente ao Benfica em finais da Taça, desde a sua criação, isto é, três finais frente aos encarnados, duas vitórias, mais ninguém tem essa vantagem em finais frente aos lisboetas! Nem FC Porto, nem Sporting! Aliás os portuenses têm um péssimo registo os leões também não é de realçar, mas não tão mau como os dragões!

 

ÉPOCA FASE ATINGIDA/ADVERSÁRIO RESULTADO
     
1981-82 4ªeliminatória: Sporting 2-3*
1982-83 Quartos-de-final: Portimonense 0-1*
1983-84 2ªeliminatória: Portimonense 1-2
1984-85 Meias-finais: FC Porto 0-1*
1985-86 3ªeliminatória: União Madeira 0-1*
1986-87 Quartos-de-final: Benfica 1-3
1987-88 Quartos-de-final: FC Porto 2-2*/0-0/4-5 g.p.
1988-89 4ªeliminatória: Sporting Espinho 1-2*
1989-90 Oitavos-de-final: Vitória Setúbal 1-2*
1990-91 Meias-finais: Beira-Mar 0-2*
1991-92 VENCEDOR: FC Porto 2-1
1992-93 Finalista vencido: Benfica 2-5
1993-94 5ªeliminatória: Tirsense 0-1*
1994-95 5ªeliminatória: Sporting 0-0/0-5*
1995-96 5ªeliminatória: Sporting 1-2*
1996-97 VENCEDOR: Benfica 3-2
1997-98 Quartos-de-final: União Leiria 2-2/1-3*
1998-99 Quartos-de-final: Esposende 0-1*
1999-2000 Quartos-de-final: Rio Ave 0-1*
2000-01 Meias-finais: Marítimo 0-1
2001-02 5ªeliminatória: Alverca 0-1
2002-03 4ªeliminatória: Santa Clara 0-4*
2003-04 4ªeliminatória: FC Porto 0-1*
2004-05 Meias-finais: Vitória Setúbal 1-2 a.p.*
2005-06 Quartos-de-final: Vitória Setúbal 1-2*
2006-07 Quartos-de-final: Beira-Mar 0-2 a.p.*
2007-08 5ªeliminatória: Naval 1ºMaio 1-4*
2008-09 4ªeliminatória: Vitória Guimarães 0-2
2009-10 1ªeliminatória: Pescadores 0-3 (falta comparência)*
2010-11 Não participou  
2011-12 Não participou  
2012-13 1ªeliminatória: União Leiria 1-2*
     
+Campo neutro; *recinto adversário  

Boavista na Taça de Portugal: 1951-52 a 1980-81

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Depois de um período muito modesto, no primeira fase aqui analisada, este até começou relativamente bem, com uma meia-final, a primeira dos axadrezados, em 1953-54, onde foram afastados pelo Vitória Setúbal. Depois manteve-se a mediania nos resultados, nada a assinalar de positivo. Por seu lado, de negativo, na década de 60, chegaram mesmo a nem participar na prova, pois, em 1966-67 e 1967-68, o Boavista andou pela III Divisão, então sem direito a participar na Taça de Portugal!  Relembre-se que na década de 60 só havia I,II e III divisões, não quatro como agora. Esta foi a primeira verdadeira má fase da história do clube portuense.

Posteriormente, o clube subiu da III à II, em 1967-68 e da II à I em 1968-69. Assim, a época de 1969-70 marcava a primeira presença do clube do Bessa no escalão máximo do futebol nacional desde 1959-60. Ao contrário dessa época, os axadrezados não desceram e mantiveram-se aqui até ao famoso caso que resultou na descida na secretaria em 2007-08. Todavia, esse desiderato ainda estava longe no tempo, mas a mediocridade de resultados na taça permanecia.

Essa fraca prestação contudo acabou. Em 1973-74, presença nos quartos-de-final. Os próximos anos seriam de glória, festejos esses que o clube não mais igualaria em termos temporais, isto é, entre 1974-75 e 1978-79, o Boavista foi Boavistão e ganhou três Taças de Portugal, em 1974-75,1975-76 e 1978-79. Antes não tinha nenhuma, após, só ganharia mais duas vezes. É, atualmente, a única equipa, fora os três grandes, que triunfou em duas edições consecutivas. Não só isso, essas duas glórias foram obtidas fora do Estádio Nacional: em 1974-75, no antigo Estádio José de Alvalade, frente ao Benfica, por 2-1; e em, 1975-76, no já defunto Estádio das Antas, frente ao Vitória Guimarães, também, por 2-1. Em 1978-79, à terceira final, finalmente, no Estádio Nacional, Jamor, dose dupla, final e finalíssima, 1-1 e 1-0, frente ao Sporting.

Em 1974-75 e 1975-76, orientados por José Maria Pedroto; em 1978-79, pelo inglês Jimmy Hagan. Apesar, de o Boavista chegar sempre relativamente longe na prova, já não, era afastado sistematicamente nas primeiras eliminatórias, mais glória só na década de 90!

 

1951-52 1ªeliminatória: Sporting Covilhã 2-0/0-5*
1952-53 1ªeliminatória: FC Porto 1-0/0-6*
1953-54 Meias-finais: Vitória Setúbal 0-6*/6-2
1954-55 1ªeliminatória: Tirsense 0-3*
1955-56 Não participou na prova  
1956-57 2ªeliminatória: Barreirense 1-3/2-1*
1957-58 Não participou na prova  
1958-59 Não participou na prova  
1959-60 1ªeliminatória: Portimonense 0-3*/3-1
1960-61 2ªeliminatória: FC Porto 2-7/0-3*
1961-62 1ªeliminatória: Farense 3-2/2-4*
1962-63 1ªeliminatória: Feirense 1-0*/1-2/1-2+
1963-64 2ªeliminatória: Vitória Setúbal 1-3*/2-2
1964-65 2ªeliminatória: Olhanense 1-2/0-3*
1965-66 1ªeliminatória: CUF 0-1
1966-67 Não participou na prova  
1967-68 Não participou na prova  
1968-69 1ªeliminatória: Vianense 1-2*
1969-70 Oitavos-de-final: Benfica 1-6*/2-3
1970-71 Oitavos-de-final: Belenenses 0-1
1971-72 Oitavos-de-final: Atlético 0-1*
1972-73 4ªeliminatória: FC Porto 1-2
1973-74 Quartos-de-final: Sporting 0-2*
1974-75 VENCEDOR: Benfica 2-1
1975-76 VENCEDOR: Vitória Guimarães 2-1
1976-77 4ªeliminatória: Vitória Guimarães 0-2*
1977-78 Oitavos-de-final: Riopele 1-3
1978-79 VENCEDOR: Sporting 1-1/1-0
1979-80 Quartos-de-final: Marítimo 0-1*
1980-81 Oitavos-de-final: Belenenses 0-1*
     
+Campo neutro; *recinto adversário  

 

 

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